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Flores à mesa

 

 

Aproveitando a estação da primavera, vou falar sobre as flores comestíveis, que há tempos exercem intenso fascínio na culinária por seus diversos atributos. Espécies como a calêndula, por exemplo,   já eram utilizadas desde a Idade Média. Cultivada em hortas, a flor era desidratada e aplicada como corante em caldos, queijos amarelos, manteiga e bolos. No reinado da rainha Vitória, no século 18, as inglesas preparavam um prato requintado com pétalas de rosas cristalizadas. A receita era feita com as pétalas cobertas com clara de ovos e um pouco de água e açúcar. A iguaria também acompanhava o famoso chá da tarde.

Além de embelezar os pratos, as flores alegram os olhos e estimulam o paladar. Na gastronomia, podem ser usadas no preparo de massas, pastas, omeletes, sobremesas, geleias, tortas, biscoitos, infusões, pudins e sorvetes. Sua utilização ainda se estende em saladas, na decoração e guarnição de pratos. Há quem, ainda, faça uso delas também para aromatizar vinagres e azeites, salpicar sobre frutas, queijos e frios e até decorar cubos de gelos para refrescar bebidas e sucos. Contudo, é  importante lembrar que as flores destinadas à gastronomia não são as mesmas das floriculturas e que algumas são até venenosas. Para ser denominadas comestíveis,  devem ser, sobretudo, orgânicas, isentas de agrotóxicos. As espécies comestíveis mais conhecidas e comuns no uso culinário são: alcachofra, couve-flor, brócolis, flor de abóbora ou cambuquira e camomila.

Segundo a nutricionista Nayara Monteze, do Centro Universitário UNA, alguns tipos de flores comestíveis conferem benefícios ao organismo, em virtude do baixo valor calórico (cerca de 40 kcal por 100 g), por serem ricas em água e conterem substâncias que promovem o bem-estar e saúde, como a rosa, a camomila, o hibisco Sabdarifa, a calêndula e a capuchinha. “Vale dizer que as espécies comestíveis mais comuns, com baixo valor calórico, ricas em vitaminas A e C são a capuchinha, a rosa, a begônia, a calêndula, o amor-perfeito, o crisântemo, a tulipa, a flor de alfazema, a cravina, a verbena-limão, a flor de abobrinha, a borrago e a camomila. A capuchinha e a dentes de leão possuem betacaroteno (pré-vitamina A) e vitamina C”, afirma a nutricionista.

O uso das flores na cozinha ainda rende outras vantagens. A calêndula, por exemplo, pode substituir a valiosa especiaria açafrão. Enquanto a bandeja com 40 unidades da flor fresca custa em média 12 reais, o grama do açafrão verdadeiro (diferente do que encontramos nas prateleiras dos supermercados, o açafrão da terra ou curcuma), custa cerca de 42 reais nas lojas especializadas. Conhecida como açafrão dos pobres, a calêndula é muito indicada para pratos com carne, sopas, molhos para peixes, massas e risotos. Mas, para garantir um bom resultado, recomenda-se usá-la em maior quantidade. Se em uma receita, gasta-se oito gramas de açafrão em pó, o ideal é usar 15 flores frescas de calêndula.

As flores comestíveis podem ainda dar sabor e aroma a picles, conservas, compotas de doces, chutneys, saladas de frutas, emulsões e vinagretes. Você também pode surpreender seus convidados servindo uma água colorida e aromatizada com as flores comestíveis ou quem sabe um drinque perfumado com hibisco sabdarifa, amor-perfeito ou flor de laranjeira e mel. Eles vão adorar! (Fotos: Rosilene Campolina)

Fonte: www.lucianaavelino.com.br/gastronomia/flores-a-mesa/

 
 
     
 

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